

Para saber como investir corretamente é fundamental que se conheça, ao menos, o básico sobre o mercado financeiro. Embora seja um tema muito amplo e cheio de detalhes, hoje em dia, o acesso facilitado à informação, tornou possível aprender mais sobre o assunto, até mesmo para quem não tem formação na área. O que não significa, necessariamente, que a ajuda de especialistas não seja sempre bem-vinda.
Cada vez mais brasileiros têm buscado sair do status de devedores para se tornarem investidores, mesmo iniciando com valores pequenos. Esse comportamento faz com que você reduza a sua necessidade de “trabalhar para o dinheiro” e faz com ele trabalhe para você. Porém, para chegar a isso, é necessário um mínimo de estudo sobre o mercado financeiro.
Sem esse conhecimento, quem pretende começar a investir acaba acreditando em sugestões nem sempre vantajosas, como os títulos de capitalização que os gerentes de banco adoram oferecer para baterem suas metas mensais. Diante disso, criamos este guia para que você adquira os conhecimentos essenciais para começar a aplicar o seu dinheiro no mercado financeiro. Confira!
O mercado financeiro é considerando o ambiente no qual se negociam produtos relacionados ao dinheiro. Fazendo um paralelo com o mercado farmacêutico, por exemplo, que comercializa remédios para vários tipos de doenças, o financeiro, negocia vários tipos de investimentos financeiros.
No mercado financeiro atuam, basicamente, três tipos de membros: os emissores, os investidores e os intermediários. Por exemplo, no caso do Tesouro Direto, o Governo Federal é o emissor dos títulos, a corretora é a intermediária e o comprador é o investidor.
Vale destacar que mercado financeiro é diferente de sistema financeiro, que é composto das instituições que regulam e operam o mercado, captando e distribuindo recursos e estimulando a circulação de valores, como o Banco Central e Bolsa de Valores.
A dinâmica de funcionamento do mercado financeiro se baseia no valor do dinheiro ao longo do tempo, quem tempo dinheiro sobrando “empresta” para quem precisa dele por um período e recebe em troca, os juros correspondentes a esse intervalo.
Por exemplo, quando você compra um título do Tesouro Direto está, na verdade, emprestando recursos ao Governo para que ele pague as contas da União. Em troca, você receberá esse dinheiro de volta, depois de um determinado intervalo de tempo, porém, corrigido e acrescido de rendimentos, que nada mais são do que os juros pagos pelo Governo pelo empréstimo que pegou.
Quando você aplica o seu dinheiro em um CDB (Certificado de Depósito Bancário), está disponibilizando os seus recursos para que o banco conceda empréstimos em troca de juros mais altos do que o rendimento que você receberá nessa aplicação. É assim que ele lucra.
Essa lógica é válida para praticamente todo o mercado financeiro, ou seja, quem precisa de recursos para obtê-los de quem os têm sobrando e quer investir para ter algum lucro ou, também, para evitar as perdas causadas pela desvalorização a que está sujeita qualquer recurso parado.
O capital aplicado tem valor ao longo do tempo, por outro lado, se essa quantia estiver parada ela corre o risco de depreciação, ou seja, perde valor ao longo do tempo, o que em economias como a do Brasil não é só um risco, é uma certeza.
Portanto, a primeira vantagem de manter o seu dinheiro aplicado é não perder parte dele para fatores como a inflação. Porém, esse não é único benefício de investir. Sabendo em que e quando aplicar o seu dinheiro, você será capaz de multiplicá-lo, aumentando o seu patrimônio, e, até mesmo, transformá-lo em um ativo gerador de renda recorrente.
As instituições que fazem a intermediação e regulação do mercado financeiro, como já mencionado, compõem o sistema financeiro. Elas exercem um papel importante para que essa engrenagem funcione como esperado.
Nos tópicos a seguir, você vai conhecer os principais componentes desse sistema e saber qual a função de cada um deles. Continue a leitura.
O Bacen (Banco Central do Brasil) é a principal instituição financeira do país. Fundado em 1964, ele é o depositário do Tesouro Nacional e o controlador da emissão ― feitas pela Casa da Moeda ― das cédulas e moedas que circulam pelo Brasil.
Além disso, ele também guarda as nossas reservas cambiais, com o ouro e o dólar, monitora e supervisiona as demais instituições do sistema financeiro nacional e garante o equilíbrio do mercado, por meio do provisionamento de liquidez dela e, ainda, regula as taxas de juros.
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) é a responsável pelo desenvolvimento, regulamentação, fiscalização e controle do mercado de capitais no país. Como órgão fiscalizador que é, também fica com a função de aplicar as punições cabíveis às instituições que descumprem as regras estabelecidas no sistema financeiro nacional.
A CVM é administrada por um colegiado composto por 5 membros nomeados pelo Presidente da República e aprovados pelo Senado.
O FGC Fundo Garantidor de Crédito não é um órgão público como muitos imaginam. Trata-se de uma associação privada, sem fins lucrativos que tem como objetivo contribuir para a estabilidade do sistema financeiro nacional, protegendo os titulares de crédito contra eventuais problemas com instituições financeiras emissoras dos seus títulos que venham a falir.
Ele atua prevenindo emergências e mantendo o funcionamento harmônico em todo o sistema bancário e financeiro. O FGC também garante a proteção de 100% dos valores investidos determinados tipos títulos até R$ 250.000,00 por CPF e por instituição financeira. Alguns dos investimentos garantidos pelo FGC são o CDB, LCI, LCA, entre outros, geralmente de renda fixa.
O CMN é órgão de maior poder no mercado financeiro, tendo sido ele, inclusive, o responsável por autorizar a constituição do Fundo Garantidor de Crédito. Ele exerce a função executiva de normatização do mercado, ou seja, é o encarregado de criar as normas que regem todo o sistema financeiro e, ainda, de fiscalizar o seu cumprimento.
A Bolsa de Valores é o local onde se negociam títulos emitidos por empresas, sejam públicas, sejam privadas. Nela, os investidores conseguem encontrar as ofertas as ações disponíveis no mercado e negociá-las em um ambiente seguro, com a garantia de que fará transações rápidas e com segurança.
Entender o funcionamento da bolsa de valores é mais simples do que se imagina. O que acontece é que as empresas fazem uma oferta pública de capital (IPO), colocando pequenos pedaços dela ― as ações ― a venda para quem deseja se tornar um sócio.
A bolsa de valores funciona como uma grande vitrine onde essas ações são expostas. No mercado primário o investidor as adquire diretamente da empresa quando são ofertadas, porém, elas podem vendê-las para outros investidores a qualquer momento, emitindo uma ordem de venda para a bolsa de valores, onde ela ficará disponível para compra.
As instituições bancárias são os componentes mais conhecidos do sistema financeiro e é nelas que ocorrem a maioria das transações. Tratam-se dos bancos comerciais públicos e privados, de investimento, financeiras e cooperativas de crédito.
Toda instituição financeira está sujeita a regulação dos demais órgãos que foram citados até aqui e são obrigadas a prestar contas de suas operações ao Banco Central do Brasil, onde acontece a compensação de cada transação realizada em todas as instituições.
Existe uma grande variedade de produtos disponíveis no mercado financeiro, com características e finalidades distintas. Para que sejam diferenciados com mais facilidade o mercado foi ramificado em 4 segmentos menores que você conhecerá nos tópicos a seguir.
No mercado de crédito estão as instituições financeiras que oferecem e fazem a intermediação das ofertas de recursos. O crédito para consumo, para capital de giro, financiamentos imobiliários, entre outros, estão incluídos nessa ramificação.
No mercado cambial ocorrem as trocas de moedas de outros países pelo Real brasileiro. Essas operações cambiais são fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil, que também é o responsável pela definição das taxas de câmbio, por isso, o Bacen disponibiliza uma ferramenta que faz o cálculo de conversão de moedas no mercado cambial.
O mercado monetário é o responsável por garantir a liquidez da economia do país. É nele que se controla a quantidade de dinheiro em circulação, as taxas de juros, além da concessão de crédito, que são as grandes responsáveis pela injeção de recursos no cenário econômico.
Ou seja, quanto menores os juros e maiores as ofertas de crédito, maior será a quantidade de dinheiro circulando no país. É o mercado monetário que detém o controle de tudo isso.
É no mercado de capitais que estão a Bolsa de Valores e as corretoras. É nele que acontecem as conexões entre investidores e produtos financeiros que permitem as operações primárias ― a compra de um título diretamente do seu emissor ― e as secundárias ― a transferência de titularidade de investimentos.
O que acontece no mercado de capitais sofre influência direta dos demais mercados descritos anteriormente, ou seja, para atuar nele, é preciso se manter informado a respeito dos outros.
Os perfis de investidor analisam a sua predisposição para aceitar riscos em troca de maiores rendimentos. Entender o seu perfil na hora de investir é o que fará a diferença entre continuar ou não acreditando no mercado financeiro e, consequentemente, continuar investindo.
Eles são divididos em três categorias: o conservador, o moderado e o agressivo. Sendo o conservador o menos propenso a correr riscos e o agressivo, o que aceita perdas com mais facilidade, entendendo que elas podem ser compensadas com maiores ganhos em menos tempo.
É muito importante responder às perguntas que o ajudarão a entender quem é você no mercado financeiro, antes de começar a investir. Quando você não respeita o seu perfil de investidor acaba com uma impressão errada dos resultados, o que o levará a desistir de aplicar o seu dinheiro.
Por exemplo, se você é conservador, escolhe um investimento agressivo e sofre uma perda logo de cara, ficará com medo de investir novamente, por outro lado, se espera grandes resultados em pouco tempo e faz um investimento conservador, ficará desmotivado com a demora na obtenção dos retornos e desistirá de investir.
Resumindo: o se perfil de investidor impacta diretamente nos tipos de investimento que você deve escolher para incluir na sua carteira.
Agora sim, chegamos à parte mais esperada deste guia. É aqui que explicaremos cada um dos tipos de investimento e como eles funcionam. Eles estão divididos em duas modalidades: os investimentos de renda fixa e os de renda variável. Continue lendo e entenda cada um deles.
Os investimentos de renda fixa são os mais recomendados para quem tem um perfil mais conservador de investimento. Neles você consegue ter uma maior previsibilidade dos ganhos que serão obtidos ao longo do tempo de investimento, além disso, a maioria deles são garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito em operações até R$ 250.000,00.
A seguir, você conhecerá os principais investimentos de renda fixa oferecidos no mercado.
O Tesouro Direto é uma modalidade de investimento criada pelo Tesouro Nacional que às pessoas físicas, a compra de títulos emitidos pelo Governo Federal. Nele você empresta dinheiro à União ― que será aplicado em programas de melhorias da infraestrutura do país ― e recebe juros em troca disso.
Os títulos disponiveis para investimentos são os prefixados, pós-fixados e híbridos. Os prefixados têm a sua remuneração e prazo definidos no momento da compra, enquanto os demais têm o rendimento vinculado a índices como o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e a Taxa Selic.
A liquidez do Tesouro Direto está condicionada ao prazo do título, que se for resgatado antes da data fixada, não será remunerado. Somente os títulos do Tesouro Selic tem remuneração diária e podem ser resgatados a qualquer momento sem a perda dos rendimentos.
O Certificado de Depósito Bancário é um título emitido por instituições bancárias para obtenção de recursos para investimento em operações de crédito. Ou seja, você empresta o seu dinheiro para o banco a uma taxa de juros mais baixa, e a instituição empresta o seu dinheiro para outros clientes cobrando uma taxa mais alta.
Assim como o Tesouro Direto, também podem ser prefixados, pós-fixados ou híbridos. Os CDBs também podem oferecer liquidez diária ou somente no prazo para o resgate, porém, os títulos que rendem todos os dias costumam ter uma remuneração menor. Assim como o Tesouro Selic, os títulos com maior liquidez são mais recomendados para quem deseja ter uma alternativa mais rentável do que a poupança para guardar a sua reserva financeira emergencial.
As LCIs e LCAs são Letras de Crédito Imobiliário e Letras de Crédito de Agronegócio e são títulos emitidos pelos bancos, para financiar empréstimos imobiliários ou para garantir os financiamentos ligados ao agronegócio. Nesse segundo caso, os títulos foram criados pelo governo para ampliar a captação de recursos para o investimento em negócios rurais.
Elas também podem ser pré ou pós-fixadas. Embora tenham um bom rendimento, sejam isentas de imposto de renda para pessoas físicas e também serem garantidas pelo FGC elas têm a desvantagem de só poderem ser resgatadas no vencimento, ou seja, não têm tanta liquidez.
As debêntures funcionam como o Tesouro Direto, porém, são emitidos por empresas públicas ou privadas. Ou seja, você empresta o seu dinheiro para a empresa em troca de uma remuneração ao longo do empréstimo.
Normalmente são prefixadas e não oferecem liquidez, podendo ser resgatadas somente na data de vencimento. Além disso, existem também as debêntures incentivadas, que são isentas de imposto de renda.
É importante não as confundir com ações de uma empresa, já que com a compra de ações você se torna sócio da companhia, enquanto na compra de das debêntures, só está emprestando dinheiro para ela.
O COE é um tipo de investimento, relativamente, novo no Brasil. A sigla significa Certificado de Operações Estruturadas e combina a rendimentos fixos e variados. Quando você investe em COE está, na verdade, adquirindo um título de renda fixa emitido por um banco, como um CDB, LCI ou LCA, em conjunto com um outro investimento de renda variável e mais agressivo, como ações, moedas ou commodities.
Como parte do seu capital estará investido em uma opção mais segura, você conseguirá rendimentos maiores que os de renda fixa, porém com um risco mais baixo, de acordo com a modalidade do COE escolhida, que podem ser:
As letras de câmbio são investimentos de renda fixa muito parecidos com o CDB, a diferença é que em vez de serem emitidas por bancos, a emissão delas é feita por financeiras. Seus rendimentos podem estar atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e/ou a índices com o IPCA, ou seja, prefixadas, pós-fixadas ou híbridas.
A LCs não têm a liquidez diária, se resgatadas antes do prazo de vencimento, o rendimento é perdido. Apesar disso, são seguras, pois também são garantidas pelo FGC.
Os investimentos de renda variável não têm uma previsibilidade de rendimentos. Eles têm alta volatilidade e dependem de vários fatores como o cenário econômico no Brasil e no mundo, a situação do ativo principal, como as empresas das quais as ações foram compradas e do seu setor de atuação.
Esse tipo de investimento não tem a garantia do FGC, mas costumam oferecer rendimentos maiores dos que os de renda fixa, por isso, muitas pessoas assumem o risco de perdas. Conheça, seguir, alguns dos tipos de investimento de renda variável.
As ações são os tipos de investimento de renda variável mais conhecido. Quando você compra uma ação está, na verdade, comprando uma fração de uma empresa, se tornando sócio dela e passa a ficar sujeito aos seus lucros ou prejuízos.
Existem dois tipos de ações: as ordinárias e as preferenciais. As ordinárias dão ao investidor o direito ao voto no conselho de administração da empresa e, no caso de falência da empresa, eles só recebem depois que os credores e donos de ações preferenciais foram pagos. Já as ações preferenciais dão preferencia ao recebimento dos dividendos, que são parte dos lucros de uma empresa, distribuídos entre os seus acionistas periodicamente. Os detentores de ações preferenciais não têm direito a voto no conselho.
As commodities são matérias-primas, produtos que não receberam nenhum tipo industrialização, por isso, não há diferenciação de marcas entre eles. São produzidos e estocados em grandes quantidades sem o risco de perdas na sua qualidade. Alguns exemplos são o petróleo, a soja, o trigo, a cana-de-açúcar, o ouro, o minério de ferro, o café etc.
Elas são comercializadas de modo global, pois são a base da indústria em qualquer lugar do mundo. Elas podem ser minerais, agrícolas, financeiras ou energéticas. Seus valores variam de acordo com a sua demanda e a oferta e é nessa variação que o investidor encontra seus rendimentos.
São formados por uma carteira de ativos financeiros criados por administradoras, que vedem cotas desses fundos. Cada investidor recebe os rendimentos de acordo com a quantidade de cotas adquiridas.
Existem vários tipos de fundos de investimento, os principais deles são:
Para ser um bom investidor, o mais importante é estudar sobre o mercado financeiro e se manter informado sobre os fatores que influenciam a economia. Para isso, você pode recorrer aos diversos livros sobre investimentos e adotar modelos já experimentados como o Value Investing de Benjamin Graham.
Como você pôde ver ao longo deste guia o mercado financeiro é um assunto muito extenso e cheio de detalhes importantes. A partir do que você acabou de ler, poderá se aprofundar nos tópicos que despertaram maior interesse e, principalmente, no funcionamento de cada tipo de investimento que combinou com o seu perfil.
Você pode começar esse aprofundamento, aprendendo sobre o que é e como investir no mini dólar e mini índice.