

Para muita gente, o investimento em renda variável é sinônimo de risco o que não é, necessariamente, uma verdade. É possível sim, investir nessas modalidades com riscos reduzidos. Além disso, no atual cenário econômico, com as taxas de juros em queda, manter o dinheiro aplicado em renda fixa não tem se mostrado muito vantajoso.
Embora, no Brasil, ainda sejam poucos os adeptos em investimentos de renda variável, essa modalidade é capaz de gerar ganhos muito maiores do que os de renda fixa, mesmo para quem não tem um perfil de investidor agressivo ou está apenas começando a investir. Diante da diversidade de opções, é necessário conhecê-los antes de decidir onde aplicar o seu dinheiro.
Pensando nisso, diante do cenário desfavorável aos investimentos de renda fixa, criamos este guia para quem deseja começar a investir em renda variável com segurança e maiores ganhos. Então, continue a leitura e saiba exatamente o que e como fazer para multiplicar o seu dinheiro!
Como o próprio nome já indica, os títulos de renda variável são aqueles cujos rendimentos não são conhecidos no momento da sua aquisição, mas, sim, ao longo do tempo em que o capital estiver investido ou, até mesmo, somente no seu resgate.
Eles considerados de risco exatamente porque os resultados desse tipo de investimento podem ser superiores, iguais ou inferiores ao capital investido.
Embora as ações sejam o tipo de investimento de renda variável mais conhecido, existem outras formas de investir nessa categoria. Alguns exemplos, que veremos mais detalhadamente nos próximos tópicos, são o câmbio, commodities, derivativos, fundos de ações e o mercado futuro.
Como já mencionado, a principal característica da renda variável é a imprevisibilidade do valor dos rendimentos. Isso acontece porque os ganhos provindos desse tipo de ativo estão ligados a fatores sujeitos a oscilações, como a inflação, taxas de juros, variações cambiais, políticas econômicas e o cenário político nacional e internacional.
Essas oscilações são as causadoras da volatilidade que proporcionam grandes ganhos ou perdas de acordo com as suas oscilações. É possível adquirir um ativo por um determinado valor de manhã, e vendê-lo a tarde no mesmo dia com lucro ou, caso isso não aconteça, se pode também, mantê-lo por algum tempo, até que a sua venda seja vantajosa.
Um ativo considerado lucrativo hoje pode não amanhã, daqui a uma semana, um mês ou um ano, por isso, os investidores mais experientes utilizam os investimentos de renda variável como um ativo de médio e longo prazo, pois o risco envolvido se torna menor.
A principal característica dos ativos de renda variável é que suas regras de remuneração não estão bem definidas como nos investimentos de renda fixa. Sendo assim, detalhes como base de cálculo para os rendimentos, assim como, os seus prazos podem ser estabelecidos ao longo do período em que o capital estiver investido.
É exatamente essa indefinição que permite ao investidor obter maiores rendimentos, por exemplo, vendendo o seu ativo quando ele está mais valorizado do que na ocasião da sua compra. A oferta e procura, taxas de juros, câmbio, expectativas de mercado são os principais indicadores do momento certo para comprar e vender um ativo.
O primeiro passo para entender o funcionamento do mercado financeiro é justamente a compreensão de que não existe um investimento perfeito. Todas as opções disponíveis oferecem vantagens e desvantagens, sejam elas de renda variável, sejam de renda fixa.
Nos próximos tópicos, veremos o que há de vantajoso e desvantajoso em investimentos de renda variável. Acompanhe!
Operações a qualquer prazo
As operações de renda variável oferecem grande versatilidade em relação aos prazos de investimento. Para isso, é necessário analisar a movimentação do mercado e traçar estratégias que permitam maiores ganhos.
As operações a curtíssimo prazo, realizadas no mesmo dia, são conhecidas como day trade e podem oferecer grandes lucros, porém, exigem grande conhecimento, dedicação constante, definição de estratégia e capacidade de tomar decisões rápidas.
Já os investidores que operam a médio e longo prazo visam não somente o lucro com a compra e venda de ativos, mas também, a geração de renda recorrente com dividendos.
Transações totalmente online
Todas as operações de compra e venda de ativos de renda variável são feitas por meio online. Elas podem ser acessadas tanto por computadores quanto por smartphones e, por isso, é possível não são realizar transações como monitorar os resultados em tempo real de qualquer lugar do planeta onde haja uma conexão com a internet.
Possibilidade de obter dividendos
No universo dos investimentos de renda variável existem ativos como as ações de empresas, que veremos mais detalhadamente nos próximo tópicos, que além da possibilidade de lucro com a sua compra e venda, alguns tipos delas geram também os dividendos, que são o rateio periódico dos lucros da empresa entre os seus acionistas.
Grande variedade de opções
Existem diversas opções de ativos de renda variável que vão desde as commodities até o mercado de ações. Dentro de cada um desses mercados é possível encontrar uma infinidade de tipos de ativos, possibilitando a formação de uma carteira diversificada, formada estrategicamente.
Maiores rendimentos
As oscilações do mercado permitem a compra de ativos nos momentos em que estão com as suas cotações mais baixas, para vendê-los quando estão mais valorizados. É essa a lógica que possibilidade uma maior lucratividade do que a conseguida nos investimentos de renda fixa.
Participação em grandes empresas
Ao investir em ações você está, na verdade, se tornando um sócio da empresa na qual investiu. Ou seja, está comprando um pequeno pedaço de gigantes como Ambev, Petrobras, Vale, Google, entre outras, e garantindo um modo de aproveitar os seus lucros.
Necessidade de conta em uma corretora
Até agora falamos das vantagens de investir em renda variável, a partir daqui, abordaremos as suas desvantagens, que como mencionado, existem em qualquer tipo de investimento. A primeira delas é que não é possível operar se não for por meio de uma corretora que faz a intermediação entre o investido e a bolsa de valores, por exemplo.
Se por um lado elas são vantajosas por oferecerem os home brokers ― plataformas de investimento online ― que funcionam como verdadeiros supermercados de produtos financeiros, por outro lado, elas também oneram as transações com a cobrança de taxas.
Oferece alguns riscos
Os riscos de um investimento acompanham o seu potencial de rentabilidade, ou seja, quanto mais arriscados, maiores serão os lucros. A maioria dos investimentos em renda fixa contam com a garantia do FGC ― Fundo Garantidor de Crédito ―, enquanto os ativos de renda variável não oferecem nenhum tipo de garantia.
É possível ganhar grandes quantias investindo em renda variável, porém, é preciso mencionar que também é possível perdê-las, assim como, não obter lucro algum em algum investimento. Entender o funcionamento do mercado é essencial para reduzir os riscos, mas, ainda assim, eventos extraordinários inesperados podem causar reviravoltas e levar a prejuízos.
Exige grande conhecimento e atualização
Como acabamos de mencionar o entendimento do mercado é a base para que se faça bons investimentos de renda variável. Porém, somente um conhecimento sobre finanças não é suficiente, é preciso acompanhar o cenário político e econômico nacional e internacional, além de estudar os fundamentos das empresas das quais se pretende adquirir ações.
Com essa base de conhecimento e o acompanhamento constante das oscilações do mercado financeiro é possível, até mesmo, identificar padrões e tendências que o ajudarão a escolher os ativos certos para os seus objetivos.
Demanda o pagamento de taxas e impostos
Alguns investimentos de renda fixa são isentos, por exemplo, do imposto de renda, o que já não acontece com os rendimentos obtidos por meio dos ativos de renda variável, sobre os quais incidem impostos, além das taxas de administração das corretoras de valores.
Apresenta grandes oscilações
As políticas econômicas nacionais e internacionais são as principais influenciadoras das oscilações nos investimentos de renda variável. Crises, mudanças de cenário político, entre outros aspectos fazem com que um ativo que hoje é considerado vantajoso, amanhã já não seja mais. Portanto, os investidores que optam por essa modalidade devem estar preparados para lidar com a volatilidade de mercado.
Uma ótima forma de começar a investir em renda variável é por meio dos fundos de investimentos, que são geridos por administradoras especializadas. Eles são carteiras de ativos montadas por especialistas e vendidos em cotas para diversos investidores.
Por misturarem diversas opções de investimentos, as possíveis perdas em um deles são compensadas pelos ganhos em outros. Desse modo, o investidor iniciante no mercado de renda variável deve se acostumar às oscilações do mercado, entendo a sua dinâmica e fazendo a sua migração da renda fixa de modo gradativo.
Somente quando se sentir seguro, é o momento de começar a negociar seus ativos sozinho. Começando com valores menores e reinvestindo os seus rendimentos para aumentar o capital aplicado.
A primeira ação que deve ser tomada para a escolha do investimento certo para você é entendendo quais são os seus objetivos a curto, médio e longo prazos. Junte isso ao quanto de risco você é capaz de conviver, a fase da vida em que se encontra e, por fim, ao seu capital disponível para investir.
Com essas informações você já é capaz de traçar o seu perfil de investidor, fundamental para qualquer tipo de investimento, e com base nele planejar a sua carteira de investimentos.
Existe ainda uma técnica chamada de “regra dos 80” que ajuda você a definir o quanto do seu capital será destinado à renda fixa e quanto vai para a renda variável. Ela foi criada com base em estudos científicos sobre investimentos e se mostrou bastante eficiente.
A regra dos 80 determina que o percentual do seu capital que será investido em renda variável é o equivalente à diferença entre 80 e a sua idade. Por exemplo, se você tem 30 anos, deve destinar 50% do seu capital a renda variável. Ou seja, quanto mais novo for o investidor maior será o seu percentual de investimento nessa modalidade.
A efetividade dessa regra se explica pelo fato de os mais jovens lidarem melhor com os riscos, terem mais tempo pela frente para formação de patrimônio e investirem quantias menores, que em caso de perdas, representam prejuízos menores. Enquanto os mais experientes já obtiveram ganhos que podem ser reinvestidos na renda fixa de modo mais seguro.
Existem vários tipos de investimentos de renda variável e é muito importante conhecer, ao menos, cada um dos principais deles para que seja possível montar uma carteira de mais diversificada para reduzir os riscos. Veja alguns deles nos tópicos a seguir.
Ações
As ações são o tipo mais conhecido de investimento em renda variável. Elas podem ser definidas como um percentual de uma empresa que tem o capital aberto na bolsa de valores. A grosso modo, quem compra uma ação se torna um sócio da empresa, que colocou cotas a venda para arrecadar dinheiro para alavancar o seu crescimento.
Elas podem ser ações ordinárias, que dão ao acionista o direito ao voto nas decisões da empresa, ou ainda, podem ser preferenciais, que garantem o pagamento de parte dos lucros, conhecidos como dividendos, aos seus acionistas periodicamente.
Fundos de Ações
Os fundos de ações são carteiras de investimentos formadas por diversos ativos de renda variável e divididas entre diversos investidores. Ao ingressar em um fundo de ações você não compra a ação de uma empresa diretamente da bolsa de valores, mas sim uma conta da carteira composta por diversas delas.
A grande vantagem dos fundos de ações é que são administrados por profissionais especializados e experientes no mercado de ações.
ETF (Exchanged Traded Fund)
As ETFs são um tipo de fundo de ações que utiliza um índice da Bolsa de Valores como referência. A partir dele, se faz a composição do fundo com o objetivo de atingir rendimentos, no mínimo, iguais ao referencial.
Assim como os fundos de ações, as ETF também são geridas por profissionais especializados e, por isso, são ótimas opções para quem está iniciando no mercado de ações. Elas também são vendidas em cotas e comercializadas diretamente na bolsa de valores o que dá a elas maior liquidez.
COE (Certificado de Ações Estruturadas)
É um tipo de investimento que mistura renda variável e renda fixa. Ao adquirir um COE, você está comprando um título de um banco que está investindo parte do seu capital em renda fixa e o restante em ativos de renda variada com retorno mais agressivo, porém, mais arriscados.
O COE tem proteção contra perdas, ou seja, se ele tiver resultados positivos você recupera o seu capital acrescido dos lucros. Por outro lado, no caso de resultados negativos, você pode recuperar o capital investido, sem prejuízos, ou se houver perdas, elas não ultrapassarão o valor inicial do investimento.
Existem duas modalidades de COE. A primeira é a de Valor Nominal Garantido, ou seja, que garante 100% do capital investido de volta. A segunda é a de Valor Nominal de Risco, que poderá perder todo o capital investido, porém, sem ultrapassar esse valor, garantindo que não se encerre o investimento com dívidas.
Fundos imobiliários
Os fundos imobiliários funcionam de modo parecido com os fundos de ações. Você se une a outros investidores para adquirir cotas de grandes empreendimentos imobiliários como shoppings e condomínios. A partir daí você passa a receber os aluguéis desses imóveis em valores proporcionais aos das cotas que você adquiriu.
É um modo de investir em imóveis sem precisar comprá-los diretamente e sem arcar com os custos e obrigações de manutenção dos bens, já que isso fica por conta do administrador do grupo.
Derivativos
Os derivativos são instrumentos que dependem do comportamento de outros ativos. É como o direito a receber pela variação cambial de uma moeda sem, no entanto, comprá-la. Eles são negociados em forma de contratos futuros ou opções de compra e venda.
Para exemplificar, vamos imaginar a aquisição de um contrato futuro de dólar. Você não adquirirá uma quantia em dólar, mas sim, o direito de ganhar o equivalente ao percentual de alta no caso do valor dele subir ou perder esse percentual se a sua cotação baixar.
Quem vende os derivativos garante um valor mínimo, independente das variações de cotação do ativo atrelado ao contrato. Em contrapartida, quem compra está assumindo o risco caso haja queda desses valores.
Commodities
As commodities são matérias-primas que não receberam nenhum tipo de beneficiamento industrial. Elas são estocadas em grandes quantidades e vendidas por um alto valor de mercado. Elas são comercializadas na bolsa de valores e seus valores oscilam influenciados pela procura e oferta.
Existem 5 tipos principais de commodities:
Câmbio
O câmbio é um dos tipos de investimento em renda variável mais simples de ser compreendido: trata-se da compra de outras moedas que proporcionam ganhos quando seu valor de mercado aumenta ou perdas quando ele cai.
As mais comuns são o dólar e o euro, porém, atualmente, existem também as criptomoedas que não deixam de ser uma forma de investimento em câmbio. Porém, o mercado de câmbio não se limite a compra e venda de moedas, existem outras formas de ganhar dinheiro com ele.
No Brasil as principais modalidades de investimento cambial são:
A maioria dos investimentos de renda fixa, como os títulos de capitalização, têm os seus rendimentos baseados em índices como taxa básica de juros, a Selic. A partir do momento em que há estabilidade econômica no país, com a queda da inflação e a redução das taxas de juros, os investimentos de renda fixa deixam de ser interessantes.
Já os investimentos de renda variável também sofrem influência desses índices, porém, atrelados a outros fatores, que permitem que eles continuem gerando bons rendimentos. Por exemplo, com a queda dos juros, o mercado imobiliário aquece, as empresas conseguem investir em seu crescimento e, com isso, cotistas de fundos imobiliários e acionistas de empresas em expansão saem ganhando.
Por isso, em momentos como o que estamos vivendo atualmente no Brasil, migrar para os investimentos de renda variável é um modo de garantir que se continue contando com bons rendimentos mesmo com as baixas dos juros e a queda da inflação.
O segredo é a diversificação. Por mais atrativo que pareça um determinado ativo, não se deve, jamais “colocar todos os seus ovos em uma mesma cesta”. Por isso, é importante traçar uma estratégia de investimentos que mescle diversos produtos financeiros, inclusive, misturando renda variável com renda fixa. Lembra da regra dos 80 que citamos no início deste guia?
Outros conceitos, como o value investing, desenvolvido pelo economista Benjamin Graham, amplamente utilizada por Warren Buffett também devem ser aplicados no momento de decidir a composição da sua carteira de investimentos. Desse modo, suas escolhas serão baseadas em análises concretas e garantindo uma margem de segurança para minimizar os riscos.
Ao longo deste post você pôde compreender melhor o que são os investimentos em renda variável, como eles funcionam, quais são as suas vantagens e desvantagens, conheceu os principais tipos deles, entendeu porque deve migrar para eles e como montar uma carteira de investimentos rentável e segura.
Mesmo que você ainda não o mais experiente dos investidores, após ler este conteúdo, você se tornou capaz de dar os primeiros passos rumo a excelentes ganhos com investimentos em renda variável.
Agora que você já sabe um pouco mais sobre o assunto e entende o quanto esse tipo de investimento pode ser vantajoso, que tal compartilhar este post em suas redes sociais para que mais pessoas tenham a oportunidade de começar a investir e lucrar com a renda variável?