

Chamamos Operações Estruturadas toda e qualquer operação que combine diferentes ativos, caracterizando-se como uma opção para aumentar a rentabilidade dos investimentos com riscos controlados e permitindo ao investidor projetar quanto poderá ser o lucro ou o prejuízo antes mesmo de efetuar a operação.
Alguém que tenha expertise em derivativos, como trava de alta / trava de baixa, trava borboleta, financiamento de ações e outros tipos de ativos financeiros, pode armar sua própria operação estruturada, por outro lado, é possível comprar estruturas oferecidas pelos bancos que vêm de certa forma prontas, com ativos devidamente combinados.
Ao trabalhar com operações estruturadas, com frequência é possível conhecer o pior cenário de prejuízo versus a possibilidade de rentabilidade antes mesmo da operação ser efetuada.
A combinação de diferentes ativos é capaz de proporcionar ganhos expressivos ao investidor, e é exatamente por isso que está se destacando no universo dos investimentos.
Qualquer investidor irá coincidir que o investimento ideal é aquele que une um grande retorno com um baixo risco.
Aqueles que operam na Bolsa sabem que este cenário é praticamente impossível, já que a alta rentabilidade está associada a altos riscos. Mas vale destacar que as Operações Estruturadas chegam muito perto desse objetivo.
Esse tipo de operação é feito por meio do COE (Certificado de Operações Estruturadas) ou por meio de opções montadas. As operações formadas no mercado direto são montadas com ativos disponíveis no mercado e com liquidez de Bolsa.
Ao investir em um COE, o investidor está comprando um título que foi emitido por uma instituição financeira. Ativo este que combina uma grande parcela do seu capital em títulos de Renda Fixa e uma porcentagem menor em opções de Renda Variável, como: ações nacionais e estrangeiras; taxa de juros; commodities e dólar.
As opções são os direitos de compra e venda de um ativo que de certa forma estão baseados em um outro ativo. Quando é este o caso, o investidor adquire o direito de comprar ou vender uma quantidade definida de um bem ou instrumento financeiro a um valor pré-fixado e em uma data futura.
Para que tudo isso seja possível, é necessário que o investidor pague um prêmio. Essa é a maneira de evitar oscilações do mercado ou mesmo alavancar a carteira, o que faz dela uma modalidade muito utilizada nos dias de hoje.
Ao ser finalizado o prazo, se a cotação realmente subir, é possível exercer o direito e pagar um valor por isso, e caso a cotação esteja igual ou menor, é possível não realizar a compra.
O COE é um tipo de operação estruturada que os bancos brasileiros oferecem que combina, por exemplo, títulos de renda fixa, ações e derivativos, conseguindo assim repassar para o investidor qual seria o risco máximo, que é geralmente baixo, e qual a rentabilidade e o prazo do investimento.
Seria uma espécie de versão brasileira das Notas Estruturadas, muito comuns nos Estados Unidos e na Europa, e apesar de ser um produto relativamente recente no mercado brasileiro, vem ganhando espaço nos portfólios pois simplifica uma operação que tende a ser complexa.
Sendo assim, a principal característica do COE é a flexibilidade, podendo se adequar aos diversos perfis de investidor e diferentes cenários econômicos, pois ao combinar características de renda fixa e renda variável, viabiliza diversificação de portfólio, permitindo o acesso a novos mercados como commodities, ações de companhias listadas em bolsas estrangeiras e índices internacionais, para citar alguns.
A regulamentação da distribuição pública do instrumento, em vigor desde 26 de fevereiro de 2016, foi um dos fatores que impulsionou o crescimento do COE, pois incentivou a oferta do certificado a um maior número de investidores. São mais de 20 bancos que emitem o instrumento e 15 intermediários que distribuem o produto.
Ao comprar um Certificado de Operações Estruturadas que protege o capital investido, é possível obter ganhos da renda variável sem o risco de perder o dinheiro investido, por exemplo, pois na pior das hipóteses, é possível recuperar o dinheiro investido no vencimento do título. Isso é possível porque a instituição que emite o COE aplica boa parte dos recursos em ativos de renda fixa e uma pequena parcela em renda variável, portanto a combinação compensa as perdas. Se todos os ativos se valorizarem, o COE alcança seu objetivo.
Ainda que seja composto por uma combinação de ativos, o Certificado de Operações Estruturadas segue o um índice de referência, seja ele moedas, ouro, índices de inflação, índices de ações ou juros. Indexadores servem assim para balizar os cenários de rentabilidade.
O ticket médio entre as pessoas físicas que optam pelo COE é de R $67 mil e o prazo mais frequente, em mais de 70% dos casos considerando o volume financeiro, é de acima de 2 anos.
No mercado brasileiro existem duas modalidades de Certificado de Operações Estruturadas
Valor Nominal Protegido – Aquele que garante a proteção do capital, mesmo que os ativos referenciados sofram com desempenho negativo
Valor Nominal em Risco – Onde não há garantias, podendo o investidor perder todo o capital investido.
Ao optar por um COE que garanta a proteção do capital, é importante observar que ao mesmo tempo em que impede possíveis prejuízos, também limita os ganhos a um determinado teto.
Sendo assim, é essencial ler com atenção o DIE (Documento de Informações Essenciais) antes de investir. Este documento proporciona informações muito úteis, como valor mínimo, data de vencimento e cenários de lucro ou prejuízos.
O COE é portanto um tipo de operação estruturada, mas existem diversos outros tipos de operações que também são Operações Estruturadas.
Estruturas são o conjunto de produtos financeiros e ativos que formam o COE. Dessa forma, ao investir em Operações Estruturadas o que se adquire é uma Estrutura. Elas podem ser de dois tipos:
Valor nominal protegido – Seguro, garantindo o valor principal investido
Valor nominal em risco – Joga com a possibilidade de se perder o valor investido.
Também chamadas de call, as opções de compra são aquelas em que o vendedor tem o dever de efetivar a venda do ativo pelo valor combinado, na data acordada previamente.
Ainda assim, como foi o comprador quem pagou o prêmio, ele tem, portanto, o direito de exercer a opção de efetivar a compra nos moldes definidos.
No caso das opções de venda, o vendedor é o titular do ativo e, portanto, já pagou o prêmio para ter o direito de exercer sua escolha. Sendo assim, ele não está obrigado a vender o ativo.
Por outro lado, caso decida vender, o comprador tem o dever de cumprir com as condições acordadas, ou seja, de efetivar a compra no prazo e no valor previamente combinado
Com relação aos gastos com taxas, dependendo da corretora, pode haver a cobrança de corretagem ou taxa de custódia, porém muitas instituições de fato têm zerado os custos para atrair investidores, então vale a pena pesquisar.
Com relação à tributação, da mesma maneira que os investimentos em Renda Fixa, esse modelo de investimento segue a tabela regressiva de Imposto de Renda. Sendo assim, quanto maior o prazo da operação, menos imposto você paga, pois a alíquota incidente é reduzida.
Aplicações com seis meses ou menos estão sujeitas a um recorte de 22,5% sobre os rendimentos para o Imposto de Renda, cobrado sobre os Certificados de Operações Estruturadas seguindo a tabela regressiva, a mesma aplicada a outros investimentos de renda fixa.
A alíquota irá reduzir de acordo com o prazo de aplicação, e pode chegar até 15% para investimentos com dois ou mais anos.
Mesmo que a escolha de um COE garanta a proteção do capital, há riscos em investir nesse tipo de operação estruturada.
Como o COE não tem a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que protege ativos de renda fixa emitidos por bancos, existe o risco com relação ao crédito do banco emissor. Se o banco quebrar, por exemplo, não há garantias de recuperar o investimento.
A liquidez é outro possível risco. Como os certificados têm data de vencimento, é preciso segurar o investimento até o fim para não ter de arcar com prejuízos.
Em caso de contratempo, e haja a necessidade de resgatar o dinheiro antes do prazo, é possível vender o papel no mercado secundário, mas neste caso venderá a preço de mercado, risco de perdas.
Apesar de novo no Brasil, esse modelo de investimento tem ainda muito para onde expandir, pois resulta que reunir a segurança da renda fixa à rentabilidade da renda variável já não parece ser uma tarefa impossível.
Participação em novos mercados
Um dos pontos de destaque nas Operações Estruturadas é que elas dão ao investidor a possibilidade de participar de novos mercados e, portanto, aproveitar oportunidades não exploradas em outras modalidades.
Com a combinação de ativos é possível investir de maneira mais diversificada, explorando opções e aprendendo com produtos diferentes.
Previsibilidade de perdas
Sempre falamos que no geral quanto maior a chance de ganhar, maior a possibilidade de perder, e os investidores sabem bem que o risco é sempre uma variável a ser considerada para alcançar lucros mais elevados.
Contudo, investir em operações estruturadas tem uma característica que freia consideravelmente esse risco, tornando a operação mais previsível. Quando bem planejado e estruturado, é possível investir de maneira a evitar os prejuízos.
As Operações Estruturadas unem portanto os dois maiores objetivos de um investidor, que são alta rentabilidade com baixo risco.
Dispensa o acompanhamento diário
Para aqueles que dispõem de pouco tempo para acompanhar seus investimentos, as Operações Estruturadas são uma excelente alternativa, pois não há necessidade de realizar um acompanhamento diário do mercado.
Muito pelo contrário, com uma análise rápida e simples de alguns indicadores, o investidor é capaz de entender o resultado de suas operações e garantir que o capital investido fique protegido de indexadores negativos.
O primeiro passo para começar a investir em Operações Estruturadas é ter uma conta em uma boa corretora. Pesquisar bastante sempre gera frutos, e a escolha de uma instituição séria irá garantir seus resultados.
Se você está recém entrando nesse mercado, o próximo passo é escolher o COE, o qual é emitido pelo banco. No momento que você escolhe o título, é importante observar todas as possibilidades como valor a ser investido, risco máximo da operação e prazo de validade.
E por último, é indispensável ler e entender o DIE, Documento de Informações Essenciais entregue pelo emissor do COE que apresenta um resumo com os principais dados relacionados ao título, tais como o banco que o emite, a rentabilidade do investimento, normas para ganhos e perdas; e data de vencimento.
O fato de envolver estratégias complexas faz com que esse tipo de investimento não seja exatamente adequado para todos os perfis de investidor.
Ainda que essa modalidade permita a previsibilidade de perdas, é preciso entender que há riscos. Não se pode ignorar o fato de que as operações executadas são complexas e arriscadas.
Vale ressaltar que exige certo grau de conhecimento e experiência no mercado de ações. Neste caso, portanto, é ideal que o investidor tenha experiência prévia antes de iniciar suas aplicações.
Além disso, a maturidade com relação com relação aos riscos e à dinâmica do mercado são inerentes aos investidores de perfil agressivo. Estas são pessoas dispostas a correr riscos, inclusive se alimentam deles, quando as chances de rentabilidade são maiores.
Em certos casos, o prejuízo experimentado nesse tipo de operação pode ser maior do que o valor aportado, e caso o resultado não saia como o esperado, será preciso apresentar muito mais garantias exigidas pela Bolsa de Valores.
Em suma, é ideal ter uma boa reserva de emergência antes de começar a investir em Operações Estruturadas. Um grande capital de giro dará mais tranquilidade para realizar esse tipo de operação.