

Os critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) são um conjunto de padrões para as operações de uma empresa que investidores socialmente conscientes usam para avaliar seus potenciais investimentos.
Os critérios ambientais consideram o desempenho de uma empresa como zeladora da natureza; os critérios sociais examinam como ela gerencia os relacionamentos com funcionários, fornecedores, clientes e as comunidades onde atua; e a governança lida com a liderança da empresa, remuneração de executivos, auditorias, controles internos e direitos dos acionistas.
O investimento ESG às vezes é denominado investimento sustentável, investimento responsável, investimento de impacto ou investimento socialmente responsável.
Nos últimos anos, como os investidores – em particular os mais jovens – mostraram interesse em desejar colocar seu dinheiro onde seus valores residem, as corretoras e empresas de fundos mútuos começaram a oferecer produtos financeiros que seguem os critérios ESG. De acordo com o relatório mais recente da US SIF Foundation (Fórum para Investimento Sustentável e Responsável), no início de 2018 os investidores detinham US $ 11,6 trilhões em ativos escolhidos de acordo com os critérios ESG, enquanto dois anos antes eram apenas US $ 8,1 trilhões.
Esses critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) ajudam os investidores a encontrar empresas com valores que correspondem aos seus.
Para avaliar uma empresa com base nesses critérios, os investidores analisam uma ampla gama de comportamentos.
Os critérios ambientais podem incluir qual o tipo de energia a empresa usa, resíduos, poluição, conservação de recursos naturais e tratamento de animais. Também podem ser avaliados quaisquer riscos ambientais que uma empresa possa enfrentar e como a empresa está gerenciando esses riscos. Há de se considerar por exemplo, questões relacionadas à propriedade de terras contaminadas, ao descarte de resíduos perigosos, ao gerenciamento de emissões tóxicas e à conformidade com as regulamentações ambientais governamentais.
Os critérios sociais consideram as relações comerciais da empresa. Ela trabalha com fornecedores que possuem os mesmos valores que afirma ter? A empresa doa uma porcentagem de seus lucros para a comunidade local ou incentiva seus funcionários a realizarem trabalhos voluntários? As condições de trabalho da empresa mostram grande consideração pela saúde e segurança de todos que lá trabalham?
Com respeito à governança, os investidores podem querer saber se a empresa usa métodos contábeis precisos e transparentes e se os acionistas têm a oportunidade de votar em questões importantes. Eles também podem querer garantias de que a empresa evita conflitos de interesse na escolha dos membros do conselho, que não usa contribuições políticas para obter tratamento indevidamente favorável e, evidentemente, que não se envolva em práticas ilegais.
Nenhuma empresa passa em todos os testes de todas as categorias, evidentemente, então os investidores precisam decidir o que é mais importante para eles. Por uma questão prática, empresas de investimento que seguem os critérios ESG também devem definir suas prioridades.
Outro indicador comum para a criação de uma carteira de investimentos ética é o SRI (investimento socialmente responsável). Embora procurem construir carteiras mais responsáveis, existem duas diferenças básicas entre o investimento ESG e o investimento SRI:
O SRI historicamente lançou mão de uma abordagem excludente para filtrar investimentos, como barrar ações em setores que algumas pessoas consideram contra seus valores, como tabaco ou álcool (conhecidos em inglês como sin stocks). Os investimentos ESG podem tanto excluir esses mesmos investimentos como incluir empresas que estão criando um impacto positivo nas áreas ambiental, social ou de governança, trabalhando no equilíbrio.
Os críticos argumentaram que, ao buscar apenas excluir empresas que não são “moralmente boas”, o SRI limita a capacidade de um investidor de construir um portfólio forte. Os investidores ESG acreditam que, por exemplo, empresas com uma equipe diversificada, impacto ambiental negativo limitado e remuneração executiva razoável têm mais probabilidade de permanecer no mercado por mais tempo e entregar melhores retornos financeiros de longo prazo. Essencialmente, as empresas que são “moralmente boas” não o são apenas para a sua consciência, mas também para o seu portfólio.
À medida que as práticas de negócios voltadas para os critérios ESG ganham mais tração, empresas de investimento estão cada vez mais interessadas em monitorar seu desempenho. Grupos de serviços financeiros como JP Morgan Chase, Wells Fargo e Goldman Sachs publicaram relatórios anuais que revisam extensivamente suas abordagens ESG e os resultados financeiros.
No passado, era comum que se exigisse algo por parte do investidor em troca de poder aceder aos investimentos socialmente responsáveis. Por conta de limitarem o universo de empresas elegíveis para investimento, também limitaram o lucro potencial do investidor. Empresas “ruins” às vezes tiveram um desempenho muito bom, pelo menos em termos de preço de suas ações.
Mais recentemente, no entanto, alguns investidores passaram a acreditar que os critérios ambientais, sociais e de governança têm um propósito prático além de quaisquer preocupações éticas. Ao seguir os critérios ESG, investidores podem ser capazes de evitar relacionar-se com empresas cujas práticas possam sinalizar um fator de risco – como evidenciado pelo derramamento de óleo da BP em 2010 e o escândalo de emissões da Volkswagen, que abalaram os preços das ações das empresas e resultaram em bilhões de dólares em perdas decorrentes.
Muito além de seu estágio ideológico, hoje os critérios de investimento ESG servem para diminuir riscos de investimento e calibrar os preços de cada ação no mercado financeiro. Ao aplicar esse conceito, a gestora Trafalgar afirma conseguir descontar até 30% do preço a pagar por determinada ação por conta dos riscos relacionados às questões ambientais, sociais e de governança.
Mais de US$ 30 trilhões em ativos sob gestão são gerenciados globalmente por fundos que definiram estratégias sustentáveis com base nos critérios ESG. Apenas na Europa já são US$ 14,1 trilhões, equivalente a mais de 50% do AuM (ativos sob gestão em inglês) da região, enquanto no mercado americano já somam 25%.
Nosso mercado não fica para trás. Neste ano a XP Investimentos inicia a cobertura de ações de empresas focadas nos princípios ESG com seleção de 10 ativos em sua primeira versão: Ultrapar, Santander Brasil, Natura, Marfrig, Localiza, Energias do Brasil, Cemig, Banco do Brasil, B3, e Ambev.
O portfólio é composto por ações com nota no mínimo AA pelo MSCI ESG Ratings – Órgão que calcula a exposição das empresas aos princípios ESG em função da análise do negócio e principais produtos ou segmento, bem como fontes de receita e localização de ativos.
As análises levam em conta a capacidade de desenvolver estratégias contundentes para aproveitar as oportunidades e gerenciar seus riscos.
Para chegar definir os índices, a MSCI define 10 temas para cada um dos 3 princípios ESG, detalhados ao longo de 37 questões-chave.
Um whitepaper de 2019 produzido pelo Morgan Stanley Institute for Sustainable Investing comparou o desempenho dos fundos sustentáveis aos fundos tradicionais e descobriu que de 2004 a 2018 os retornos totais dos fundos mútuos sustentáveis e de fundos negociados em bolsa foram semelhantes aos dos fundos tradicionais. Outros estudos descobriram que os investimentos ESG podem superar os convencionais.
O mesmo estudo do Morgan Stanley descobriu que os fundos sustentáveis mostraram consistentemente um risco de queda menor do que os fundos tradicionais, independentemente do tipo de ativos. O estudo constatou que em tempos turbulentos para os mercados, como em 2008, 2009, 2015 e 2018, os fundos tradicionais tinham desvios negativos significativamente maiores do que os fundos sustentáveis, o que significa que os fundos tradicionais tinham um maior potencial de perda.