

El Salvador se tornou na terça-feira dia 7, o primeiro país a adotar o Bitcoin como moeda legal, um experimento que divide a opinião de especialistas e do público.
A mudança significa que as empresas devem aceitar o pagamento em bitcoin junto com o dólar americano, que tem sido a moeda oficial de El Salvador desde 2001 e permanecerá com curso legal.
Como o Bitcoin é uma moeda descentralizada e não necessita de instituições intermediárias para suas transações e também não são controladas por governos ou bancos centrais, o governo de El Salvador alega que, com a adoção da criptomoeda, os salvadorenhos economizarão cerca de U$ 400 milhões, que o governo calcula serem gastos anualmente em comissões e taxas.
Os opositores dizem que o Bitcoin pode aumentar os riscos regulatórios e financeiros para o país e pesquisas mostram que os salvadorenhos estão preocupados com a volatilidade da moeda.
Sem dúvida a volatilidade existe, em maio a cotação da moeda foi de U$ 64.000,00 para U$ 30.000,00 e hoje está em U$ 44.000,00, como também a falta de regulação abre portas para incertezas na licitude de determinadas operações. O FMI suspendeu um empréstimo de U$ 1 bi, a Moodys rebaixou a qualidade de crédito do país e o governo Biden colocou os aliados do presidente salvadorenho em listas negras de corrupção.
Porém, com o aumento do marketcap e a regulação dos criptoativos já em andamento, grandes investidores institucionais entrarão abertamente nesse mercado fazendo a volatilidade diminuir, isso acontecerá naturalmente. Hoje o Bitcoin é o investimento mais rentável da década e entregou 300% de rendimento nos últimos 12 meses.
Como disse acima, o Bitcoin é uma moeda decentralizada que está aí para competir com as moedas fiduciárias tradicionais, isso tiraria o controle de governos e bancos centrais, então a criptomoeda tem inimigos de peso. Imaginem o que seria dos EUA sem o dólar, a Europa sem o euro, seria também o fim do FMI, dos bancos centrais, públicos e particulares. Não seria um mundo mais justo?
Bill Gates já disse que instituições financeiras são fundamentais, bancos não. Concordam?
Historicamente, todos os desbravadores, os que quebram paradigmas, são sempre os mais criticados por aqueles que não querem mudar os status, que correm maiores riscos porém, quando acertam, colhem os melhores resultados e servem como padrão para os seguintes. A história da humanidade é marcada por revoluções tecnológicas, e elas vem mudando o mundo em definitivo. Há “pouco tempo” tivemos a revolução do “ponto com” nos anos 90, pessoas com 30 anos não conheceram a vida sem o Google, a Microsoft e a Apple, nos anos 2000 o saudoso Napster mudou a forma de ouvirmos música, imagine-se sem Spotify, Apple Music ou Deezer, e indo além, quem vive hoje também sem as séries via streaming da Netflix?
Será que estamos vendo mais uma vez a história ser escrita diante dos nossos olhos? Eu não tenho dúvidas, porém dessa vez com proporções inéditas para as gerações que vão presenciá-la.
O fato é que a maioria das pessoas que está lendo esse artigo agora não entende quase nada sobre o assunto, porém ele não pode mais ser ignorado, o mercado de criptoativos já possui um marketcap (valor de mercado) de U$ 2 trilhões, os maiores bancos do mundo já recomendam investimentos nessa classe de ativos, a região de Zug na Suíça, conhecida como Criptovale já aceita Bitcoin e Ether para pagamento de impostos, muitos países como a China, Ucrânia e Brasil já estão no processo de criação de suas próprias moedas digitais e outros países como o Panamá e também Ucrânia já estão regulamentando a adoção de criptoativos como El Salvador.
O Blockchain, tecnologia onde está inserido o Bitcoin, está aí para ficar e vai mudar a vida de todos sem sombra de dúvida, não é mais uma questão de “se” isso vai acontecer ou não, mas de “quando”.