

Você conhece o termo descentralização, quando o assunto é criptomoedas?
O que acontece é que, geralmente, os sistemas econômicos e financeiros tradicionais são controlados por uma autoridade central (ou seja, os governos).
Isso significa que há uma autoridade máxima responsável por ditar as regras e fiscalizar se elas estão sendo seguidas pelos participantes do mercado, sejam eles pessoas físicas, pessoas jurídicas ou instituições financeiras.
No Brasil, por exemplo, o Banco Central (BC) é uma das autarquias que fazem parte desse comando, assim como a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), dentre outros.
Todos estão subordinados ao Ministério da Economia, que é a autoridade máxima da república, no que diz respeito às diretrizes econômicas.
Já no mundo das criptomoedas, isso muda totalmente. Neste mercado há uma descentralização desse poder de decisão, ou seja, ele não é ditado ou concentrado em alguma autoridade específica.
Mas como isso é possível? Para explicar melhor, é preciso que você conheça o conceito “blockchain”.
Blockchain é a tecnologia por trás da existência das criptomoedas, e permitem que tanto o envio quanto o recebimento de informações pela internet sejam rastreáveis.
São blocos de dados que carregam os códigos gerados online.
Esses blocos formam uma corrente de informações que viajam pelo mundo virtual, carregando um volume infinito de dados que possuem uma maneira única de combinação (criptografada), de forma totalmente descentralizada.
É justamente esse sistema/rede – a blockchain – que viabiliza as transações feitas por meio das criptomoedas, e é aí que entra a descentralização: a blockchain não possui um dono; portanto, não há uma autoridade centralizadora do poder de decisão no que tange às criptomoedas.
Todas as transações são registradas numa espécie de livro-razão, chamado de “ledger”, que pode ser acessado por qualquer pessoa, mas as informações já registradas não podem ser apagadas. Assim, existe uma única “verdade”, que é visível para todos os participantes do mercado, e não pode ser manipulada.
Um exemplo bem simples e prático para entender melhor a centralização x descentralização:
O Banco Central do Brasil toma praticamente todas as decisões com relação a nossa moeda oficial brasileira, o real. Ele é o detentor do poder de manipular o mercado utilizando diversas ferramentas como a gestão da política cambial, impressão de mais papel moeda, etc.
No mercado das criptomoedas não existe um órgão central que seja responsável por qualquer tipo de diretriz, regra ou lei a ser seguida.
E por ser uma rede descentralizada, o detentor da moeda é o verdadeiro dono do seu próprio dinheiro virtual, não dependendo das corporações governamentais para efetuar quaisquer transações.
Nesse sentido, a descentralização é importante para assegurar a autoridade dos verdadeiros donos do dinheiro para tomar suas próprias decisões.
Você não precisa, por exemplo, se prender aos horários e valores pré-determinados pelos grandes bancos para fazer suas transações de pagamentos e recebimentos. O mercado de cripto é aberto de forma ininterrupta.
A tecnologia que temos hoje aplicada às finanças permite que as transações mais tradicionais, anteriormente apenas possíveis de serem feitas por meio do sistema financeiro “oficial” dos países, possam ser realizadas com total segurança também nos ambientes descentralizados, utilizando as criptomoedas. Mas a descentralização vai além somente do controle sobre o mercado. Este conceito é aplicado de diversas formas inovadoras, que têm o potencial de mudar radicalmente a forma de funcionamento de vários sistemas tradicionais.
DeFi (Decentralized Finance): é usado para se referir ao conjunto de protocolos, produtos e aplicativos de finanças em blockchain. Através do DeFi, você pode realizar operações e investimentos antes restritos ao sistema financeiro tradicional usando suas criptomoedas.
DEX (Decentralized Exchanges): tradicionalmente, utilizamos corretoras de valores para negociar ativos (como ações), ou até criptomoedas (em exchanges como a Binance). Já as DEX são uma espécie de corretoras, na qual as transações são feitas diretamente entre as carteiras digitais do comprador e do vendedor. A Exchange somente viabiliza a conexão entre ambos, e assegura que o preço da transação seja o mais atual do mercado. Todas estas transações ficam registradas na blockchain (como mencionado acima), mas em nenhum momento a transação passa por um órgão centralizado.
DAO (Decentralized Autonomous Organization): as Organizações Autônomas Descentralizadas são qualquer tipo de organização (uma comunidade, por exemplo) cujas regras são definidas e implementadas em algoritmos. A partir dos algoritmos, e usando a tecnologia da blockchain, a organização se “autogerencia”, sendo que todas as decisões são tomadas pelo grupo detentor do token vinculado à organização. Desta forma, não há uma unidade central, um “chefe”, e tudo acontece com base em algoritmos pré-definidos (inclusive a mudança dos algoritmos).
O que todos os tipos de aplicação acima têm em comum é que permitem a interação direta entre os usuários, sem passar por algum tipo de administrador ou controlador das transações. Ou seja, podemos considerar que elas são “autogovernadas”. Isso é a descentralização em sua mais pura demonstração de aplicabilidade.
Assim como a internet como conhecemos hoje, celulares e tantas outras tecnologias foram disruptivas no tempo, hoje conceitos como descentralização através de blockchain podem soar estranhos. Mas um dia foi impensável ter um computador no bolso e provavelmente você está lendo esse artigo em um ou com um do seu lado.
Hoje pode parecer longe o fato de transações, moedas e negociações serem feitas sem um banco, um governo ou uma empresa. Mas sim, esse não é só o futuro, é o presente.